Nietzsche – Humano, demasiado humano

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Pandora trouxe a caixa que continha os males e a abriu.
Era o presente dos deuses para nós: exteriormente algo belo e sedutor, denominado “vaso da felicidade”.
E todos os males – seres vivos alados – escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam as pessoas dia e noite.
Um único mal ainda não saíra do recipiente: então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa.
Temos para sempre o vaso da felicidade, e pensamos maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à nossa disposição.
Nós o abrimos quando queremos, pois não sabemos que Pandora nos trouxe o recipiente dos males, e pensamos que o mal que restou é o maior dos bens – é a esperança.
A intenção era que você, por mais torturado que fosse pelos outros males, não rejeitasse a vida, mas continuasse a se deixar torturar.

Para isso nos deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o nosso suplício!

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