Shel Silverstein – A árvore generosa

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O amor é benigno, não é invejoso; não se vangloria, não é arrogante, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça e sim com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. I Coríntios 13:4-7

Era uma vez uma Árvore que amava um menino.

E todos os dias, o menino vinha e juntava as suas folhas. E com elas fazia coroas de rei. E com a Árvore, brincava de rei da floresta. Subia no seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos! Comia seus frutos.

E quando ficava cansado, o menino repousava à sua sombra fresquinha.

O menino amava a Árvore profundamente.

E a Árvore era feliz!

Mas o tempo passou e o menino cresceu!

Um dia, o menino veio e a Árvore disse:

“Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos, repousar à minha sombra e ser feliz!”

“Estou grande demais para brincar”, respondeu o menino. “Quero comprar muitas coisas. Você tem algum dinheiro que possa me oferecer?”

“Sinto muito”, disse a Árvore, “eu não tenho dinheiro. Mas leve os frutos, Menino. Vá vendê-los na cidade, então terá o dinheiro e você será feliz!”

E assim o menino subiu pelo tronco, colheu os frutos e levou-os embora.

E a Árvore ficou feliz!

Mas o menino sumiu por muito tempo… E a Árvore ficou tristonha outra vez.

Um dia, o menino veio e a Árvore estremeceu tamanha a sua alegria, e disse: “Venha, Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos e ser feliz.”

“Estou muito ocupado pra subir em Árvores”, disse o menino. “Eu quero uma esposa, eu quero ter filhos e para isso é preciso que eu tenha uma casa. Você tem uma casa pra me oferecer?”

“Eu não tenho casa”, disse a Árvore. “Mas corte os meus galhos, faça a sua casa e seja feliz.”

O menino depressa cortou os galhos da Árvore e levou-os embora para fazer uma casa.

E a Árvore ficou feliz!

O menino ficou longe por um longo, longo tempo, e no dia que voltou, a Árvore ficou alegre, de uma alegria tamanha que mal podia falar.

“Venha, venha, meu Menino”, sussurrou, “venha brincar!”

“Estou velho para brincar”, disse o menino, “e estou também muito triste.” “Eu quero um barco ligeiro que me leve pra bem longe. Você tem algum barquinho que possa me oferecer?”

“Corte meu tronco e faça seu barco”, disse a Árvore. “Viaje pra longe e seja feliz!”

O menino cortou o tronco, fez um barco e viajou.

E a Árvore ficou feliz, mas não muito!

Muito tempo depois, o menino voltou.

“Desculpe, Menino”, disse a Árvore. “não tenho mais nada pra te oferecer. Os frutos já se foram.”

“Meus dentes são fracos demais pra frutos”, falou o menino.

“Já se foram os galhos para você balançar”, disse a Árvore.

“Já não tenho idade pra me balançar”, falou o menino.

“Não tenho mais tronco pra você subir”, disse a a Árvore.

“Estou muito cansado e já não sei subir”, falou o menino.

“Eu bem que gostaria de ter qualquer coisa pra lhe oferecer”, suspirou a Árvore. “Mas nada me resta e eu sou apenas um toco sem graça. Desculpe … “

“Já não quero muita coisa”, disse o menino, “só um lugar sossegado onde possa me sentar, pois estou muito cansado.”

“Pois bem”, respondeu a Árvore, enchendo-se de alegria. “Eu sou apenas um toco, mas um toco é muito útil pra sentar e descansar.

Venha, Menino, depressa, sente-se em mim e descanse.”

Foi o que o menino fez.

E a Árvore ficou feliz.

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